terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ARTIGO V - A Tolerância




              Não existe exemplo maior de santidade do que a que há em Jesus Cristo, não há exemplo mais edificante a se seguir do que o Seu próprio.
Cita-se a passagem de João 4:5-9, 13-4, 23, 25-9, 39.
Foi pois a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar água; disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Porque os seus discípulos tinham ido na cidade comprar comida. Disse-lhe pois a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos). Jesus respondeu e disse-lhe: [...] Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. [...] Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. [...] A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo. E nisto vieram os seus discípulos e, maravilharam-se de que estivesses falando com uma mulher [...]. Deixou pois a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito: porventura não é este o Cristo? [...] E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou”.
Um exemplo a ser seguido é a tolerância, o respeito mútuo. Jesus a beira da fonte, pediu à mulher samaritana um pouco de sua água; é sabido que os samaritanos não tinham laços de amabilidade com os judeus, mas mesmo assim a mulher questionou Jesus e aceitou ouvi-lo, e fez isso pelos modos simples e gentis que Ele mesmo lhe abordara. Conversaram, e a mulher saiu de junto à fonte convertida e missionária das boas novas ao seu povo. Claro que sabemos que a conversão ocorreu em grande parte por ser Jesus repleto do Espírito Santo, mas vai muito além: Jesus foi tolerante, sabia da diferença dos costumes samaritanos e dos judeus, e nem por isso se mostrou agressivo ou tentou induzir a mulher para que cresse no Seu ministério. Pela água da fonte, Jesus oferecia a Água da Vida, e veja bem o termo “oferecia”, não “induzia” ou “obrigava” a mulher acreditar. Ela simplesmente acreditou. Jesus havia dado a semente, cabia à ela, plantá-la ou não, pois para isso ela tinha o livre-arbítrio.
Bem assim, é que se deve ser apresentado o Cristianismo aos não-conversos, com mansuetude, educação, respeito. Não se deve invadir o terreno alheio, não se deve ferir os princípios alheios, não se obriga alguém a crer na existência de Cristo. O que se pode fazer é mostrar o caminho, apontá-lo, se questionado responder a questão, foi o que Jesus fez, e é o que devemos fazer. Devemos conceder a Palavra aos corações das pessoas, assim como o semeador o faz no ato de plantar: ele sai a semear, mas existem muitos terrenos dentre férteis e não-férteis, mas o mais importante de tudo é semear.
Existem supostos cristãos que acreditam que é perseguindo, obrigando, invadindo a vida dos demais que se consegue fazer com que se saiba da Palavra de Salvação. Claro que é possível sair como os apóstolos, de cidade em cidade, evangelizando, aliás, esta é a missão de todo cristão convicto; mas o que está errado nisto é querer fazer com que todos pensem da mesma forma. Jesus se manifesta para todas as pessoas de formas distintas, cada um tem sua experiência pessoal de fé, alguns chegam pela dor, outros pela alegria, outros auxiliados por alguém, mas cada um da sua forma. Aquele que realmente quiser encontrar a Cristo, com toda a sinceridade de sentimentos, o encontrará, não precisará ser coagido.
Uma outra crítica segue-se àqueles que só estão satisfeitos alegando que tais e tais doutrinas e seitas são erradas, nem mesmo Jesus que tinha toda a autoridade para fazer isso o fazia, Ele simplesmente preferia mostrar a Bênção, o Caminho a ser seguido, como Ele mesmo dizia quem acreditasse o podia seguir, se não, não era preciso. As pessoas escolhem os caminhos que querem traçar, como cristão é possível sim apresentá-las ao Cristo, mas não é possível fazê-las crer, para isso Deus nos concedeu o livre-arbítrio, e qualquer pessoa que viola isso, está desrespeitando a decisão do seu próximo.
Sejamos pois, como Cristo o foi com a mulher samaritana, ofereçamos a Água da Vida, mas dela só beberá aquele que realmente tiver sede, pois ninguém é forçado a experimentá-la. Pois que oremos, para que todos venham a ter esta sede e a tenham saciada pelo Espírito de Deus.

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