terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CAPÍTULO V - Consagrados a Deus



As Dificuldades no Caminho


Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? Que será, pois, se virdes o Filho do homem subir para o lugar onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são o espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido”. João 6:60-6.
Infelizmente muitas das pessoas que são chamadas para fazer a obra de Deus, acabam desistindo ao interpor obstáculos em seus caminhos, e simplesmente descrêem dos ensinamentos. Podemos observar na passagem acima, que Jesus estava no meio dos discípulos e que conhecia quem eram aqueles fracos na fé. Ele sabia que estes seriam responsáveis pela sua morte e até mesmo pela morte da fé de outros.
O ser humano é fraco, mas não aceita admitir-se como tal. Max Lucado em Aliviando a Bagagem afirma que temos dificuldades em nos aceitarmos como ovelha de Cristo, pois ela é o animal menos capaz de cuidar de si mesma, é ignorante, é indefesa, se suja com facilidade; e não desejamos tal associação, mas segundo suas palavras: “Quem percebe quando a ovelha de Deus aparece? Quem nota quando a ovelha canta, fala, ou atua? Apenas uma pessoa percebe. O pastor. Quando Davi, que era um soldado, um menestrel e um embaixador de Deus, buscou uma ilustração de Deus para compor o Salmo 23, veio-lhe à mente os seus dias como pastor. E o modo como ele cuidava das ovelhas lembrou-lhe o modo como Deus cuida de nós. Davi regozijou-se ao dizer: ‘O Senhor é o meu Pastor’, e ao fazê-lo, orgulhosamente deu a entender, ‘Eu sou a sua ovelha’”.
Para muitas pessoas aceitar ao Cristo está ligado a uma vida de glória e abastança material, o que não é verdade. A glória está em gozar a vida com Deus, seja ela como for, assim como o testemunho de Paulo: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12-3).
E o homem devido a sua fraqueza, a sua constante insatisfação e sua deturpação da palavra de Deus foge ao propósito do chamado. Quantas pessoas conhecemos que estão assumindo ministérios apenas da boca para fora e em busca de aplausos, contaminando, por suas vaidades, o povo. Diz sobre isso as profecias: Mas também estes cambaleiam por causa do vinho e não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, são vencidos pelo vinho, não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; erra, na visão, tropeçam no juízo. Porque todas as mesas estão cheias de vômitos, e não há lugar sem imundícia”. (Isaías 28:7-8).
Muitos templos e igrejas estão contaminados pela falsa fé, ou atualmente, a chamada Doutrina da Prosperidade, em que o homem deve reivindicar para si todos os bens (principalmente os terrenos), colocando Jesus apenas como um fornecedor, ou pior, um gênio da lâmpada que corresponde aos vis interesses. E esquecem-se, que Ele veio de uma família pobre para mostrar que o bem maior é a vida, não o que conseguimos em vida. Desta forma o homem desrespeita ao seu Criador, ou como podemos ver em O Sermão da Montanha de Huberto Rohden: “Enquanto o homem hostiliza a Deus é ele hostilizado pela natureza, que lhe nega até o necessário para a vida, e o homem tem de lutar a fim de ganhar o seu ‘pão, no suor do seu rosto’, porque a terra se lhe cobriu de ‘espinhos e abrolhos’. Quando, porém, o homem fizer as pazes definitivas com o Deus do mundo, então o mundo de Deus fará as pazes com o homem e lhe oferecerá, gratuitamente, tudo de que ele necessitar para uma vida dignamente humana”.
Vejamos o exemplo de dois homens, consagrados por Deus, mas que procuraram se desviar do Seu caminho. O primeiro deles é Sansão: um anjo veio anunciar seu nascimento para seus pais e Deus durante muito tempo o abençoou grandemente, mas ele deixou o pecado tomar conta de seu coração ao misturar-se com uma filistéia, sabendo que este povo o desprezava; e levando uma vida pecaminosa teve os cabelos cortados (eles eram responsáveis por sua força sobre-humana), os olhos vazados, foi escravizado e humilhado; pela intensa misericórdia de Deus, sua última oração foi atendida e ele conseguiu a vitória sobre os filisteus, mas se sempre estivesse andado diante de Deus, muitas coisas não lhe teriam acontecido. O outro é Jonas, que recebendo o chamado de Deus para profetizar sobre a cidade de Nínive, pensou que poderia fugir embarcando num navio, mas Deus lançou-o numa tempestade e posteriormente no ventre de um grande peixe, humilhado, prostrou-se diante de Deus e foi perdoado; mas novamente agiu errado, depois de ir pregar na cidade foi tomado pelo desamor ao próximo e preguiça, e novamente Deus teve de fazê-lo ver quem era o Deus Todo Poderoso.
O pecado está tomando a vida dos filhos que o Senhor escolheu para consagrar à Sua obra, e quando estes não desistem dela, acabam por conspurcá-la; mas o que todos devem saber é que cada pecado traz uma conseqüência, e embora os erros muitas vezes estão encobertos pelas vistas humanas, Deus tudo está vendo. O homem que deseja se preservar deve ter em mente estas palavras: “Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas. Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; guarda das suas veredas os pés; porque os seus pés correm para o mal”. (Provérbios 1:10, 15-6).
Não devemos nos juntar ao joio, por sermos o trigo do Senhor. E possamos ter certeza, que seremos incompreendidos pelos demais muitas vezes, já que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1Coríntios 2:14). E ainda provaremos da dor de Cristo, assim como aconteceu com João Batista, Paulo e Estevão – este preso injustamente, foi condenado a morte por apedrejamento, mas enquanto isso lhe sucedia seu rosto brilhava como de um anjo e ele sorriu por ver os céus abertos e Jesus à destra do Pai, nem se importando mais com a dor diante de tamanha glória, morreu corajosamente – cada um a sua maneira e intensidade.
Paulo ainda nos ensina: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”. (Gálatas 5:16-7, 24-6).
Mesmo sendo incompreendidos, odiados por causa do nome de Deus, não deixemos que isso nos vença, pois a sabedoria do mundo é confusa e não sabe o que é a vida de glória que o Senhor nos proporciona. Rohden nos diz ainda que: “O caminho não pode deixar de ser estreito e árduo, uma espécie de tristeza, como é toda a disciplina; mas no fundo dessa tristeza externa dormita uma grande alegria interior. É, todavia, uma alegria anônima, silenciosa, imponderável, como costumam ser os grandes abismos e as grandes alturas. Aos olhos dos profanos, leva o homem espiritual uma vida tristonha e descolorida; o seu ambiente parece monótono e cor de cinza como um vasto deserto. E talvez não seja possível dar ao profano uma idéia da profunda alegria e felicidade que o homem espiritual goza, porque esta felicidade jaz numa outra dimensão, totalmente ignorada pelo profano. O homem habituado a certo grau de espiritualidade tem uma imensa vantagem sobre o não-espiritual; não necessita de estímulos violentos para sentir alegria, porque a sua alegria não vem de fora, e sim de dentro. Basta-lhe uma florzinha à beira da estrada; basta o sorriso de uma criança a caminho da escola; basta o ranger de um sino ao longe; basta o cintilar de uma estrela através da escuridão – tudo enche de alegria, suave e pura, a alma desse homem, porque ela está afinada pelas vibrações delicadas que vêm das luminosas alturas de Deus”.
Nada é mais sábio que a frase de Jesus ao dizer que ele era, o caminho, a verdade e a vida; só quem segue este rumo será salvo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário