terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CAPÍTULO IV - Consagrados a Deus



Os Dons Ministeriais

 

Para cada pessoa o Senhor concedeu dons, lembremos no início, das histórias de João Batista, Paulo, Amy e Vilma, escolhidos para a grande seara. E estes dons podem ser os mais vários, tais como: evangelizar pessoas de um outro país, levar a palavra para os pobres, as prostitutas, os drogados, os mendigos e enfermos; ministrar numa igreja, atender como mantenedor de uma instituição religiosa; dar testemunho de vida para outras pessoas; ensinar a palavra para os mais jovens; atuar num ministério de louvor, etc.
Duas passagens há claramente na Bíblia que mostram que a cada pessoa compete uma atividade escolhida por Deus, são elas:
“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado. Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados”. (Marcos 16:15-8).
“A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres? Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos?” (1Coríntios 12:28-30).
Temos como principal fonte de recebimento de dons, a crença no Evangelho e o recebimento do batismo; ou seja, a partir do instante em que entregamos a nossa vida para Cristo, Ele começará a fazer a obra em nossas vidas, levando-nos para o caminho que melhor Lhe aprouver. E para isto existem os dons ministeriais.
Primeiramente, Paulo cita os apóstolos. Segundo o dicionário Aurélio, apóstolo (grego - apóstolo) é um propagador de idéia ou doutrina. Lembremos que Jesus quando encontrou-se com Pedro e André lhes disse: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4:19), e disse ainda: “E o que ceifa recebe o galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem. Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho”. (João 4:36-8). Jesus preparou seus discípulos para colherem o fruto que Ele mesmo havia plantado e divulgarem para todas as nações a palavra de Deus com autoridade, sabedoria e poder, seriam eles então divulgadores, propagadores do ensinamento de Cristo.
No dicionário Aurélio, profeta (grego – prophetes) é aquele que prediz o futuro, esta afirmação está correta e ao mesmo tempo errada, pois apenas Deus é quem capacita para esse serviço. Na Bíblia, profeta era aquele que ouvia a voz de Deus, as Suas recomendações e levava ao povo, como Elias e Isaías o fizeram. “Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: vai e dize a este povo”. (Isaías 6:8-9). Não é qualquer pessoa que é designada para esta função, o próprio Jesus acautela o povo sobre a vinda de falsos profetas: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”. (Mateus 7:15, 21). Na Bíblia, ainda são apresentadas as visões apocalípticas de João predizendo os acontecimentos vindouros. Este é um ministério ainda hoje existente, mas que deve ser totalmente voltado para o Senhor, pois os adivinhos, mágicos e necromantes herdarão apenas as cruciais palavras do Mestre: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade”. (Mateus 7:23).
Ainda consultando o Aurélio, vemos que mestre (latim – magister) é o que serve de base, o que guia, o que ensina. Mestre num contexto evangelístico pode ser designado como aquele que é responsável pela devida transmissão e entendimento da palavra de Deus, ele é o ministro do evangelho, pastor ou padre, educador e semeador. Vejamos o acontecido a Filipe. Ele recebeu a ordem dum anjo de Deus para dirigir-se à região de Gaza, e no caminho encontrou um eunuco que tentava decifrar as Escrituras. “Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo? Ele respondeu: Como poderei entender, se alguém não me explicar?”. (Atos 8:30-1). Então Filipe explicou a palavra para o homem, e este pôde enfim compreender o mistério de Cristo e aceitar o batismo. Imagine a responsabilidade de Filipe neste momento se ele não tivesse sido doutrinado na verdadeira palavra de Cristo, ele poderia ter feito a alma do eunuco até mesmo perder-se; mas como era homem de Deus, recebeu capacitação para ensinar. A parábola do cego que guia outro cego é um exemplo de que antes de levarmos os ensinamentos às outras pessoas, devemos primeiramente ser humildes e deixar que o Espírito Santo faça sua obra sobre nós.
Os próximos ofícios a serem citados são os operadores de milagres e curandeiros do Senhor, mas Cristo novamente adverte: “pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível os próprios eleitos” (Marcos 13:22). Aquele que é verdadeiramente capacitado para a seara do Senhor receberá seus dons, podendo ser de operar milagres, curar enfermos, falar em línguas, etc.
Ainda existem mais ministérios, tais como: o ministério de louvor e dança (Davi dançava, tocava harpa e compunha os hinos de adoração ao Senhor); o ministério da escrita (Salomão foi o autor de inúmeros cânticos, textos poéticos e provérbios); o ministério feminino (tendo como uma de suas expoentes, a profetisa Ana); o ministério com crianças (constatado em várias passagens do Antigo Testamento e reafirmado por Jesus em Marcos capítulo 10, versículo 14: “Deixai vir a mim os pequeninos”); o ministério dos mantenedores (pessoas com condições financeiras para auxiliar o sustento da obra, como o rei Ezequias); dentre outros.
Com base nessa multiplicidade de funções que o Senhor oferece, estejamos em constante oração pedindo capacitação e direcionamento para a que melhor for da vontade Dele para nós.
“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos”. (1Pedro 4:10-1).

CAPÍTULO V - Consagrados a Deus



As Dificuldades no Caminho


“Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Mas Jesus, sabendo por si mesmo que eles murmuravam a respeito de suas palavras, interpelou-os: Isto vos escandaliza? Que será, pois, se virdes o Filho do homem subir para o lugar onde primeiro estava? O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são o espírito e são vida. Contudo, há descrentes entre vós. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quais eram os que não criam e quem o havia de trair. E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido”. João 6:60-6.
Infelizmente muitas das pessoas que são chamadas para fazer a obra de Deus, acabam desistindo ao interpor obstáculos em seus caminhos, e simplesmente descrêem dos ensinamentos. Podemos observar na passagem acima, que Jesus estava no meio dos discípulos e que conhecia quem eram aqueles fracos na fé. Ele sabia que estes seriam responsáveis pela sua morte e até mesmo pela morte da fé de outros.
O ser humano é fraco, mas não aceita admitir-se como tal. Max Lucado em Aliviando a Bagagem afirma que temos dificuldades em nos aceitarmos como ovelha de Cristo, pois ela é o animal menos capaz de cuidar de si mesma, é ignorante, é indefesa, se suja com facilidade; e não desejamos tal associação, mas segundo suas palavras: “Quem percebe quando a ovelha de Deus aparece? Quem nota quando a ovelha canta, fala, ou atua? Apenas uma pessoa percebe. O pastor. Quando Davi, que era um soldado, um menestrel e um embaixador de Deus, buscou uma ilustração de Deus para compor o Salmo 23, veio-lhe à mente os seus dias como pastor. E o modo como ele cuidava das ovelhas lembrou-lhe o modo como Deus cuida de nós. Davi regozijou-se ao dizer: ‘O Senhor é o meu Pastor’, e ao fazê-lo, orgulhosamente deu a entender, ‘Eu sou a sua ovelha’”.
Para muitas pessoas aceitar ao Cristo está ligado a uma vida de glória e abastança material, o que não é verdade. A glória está em gozar a vida com Deus, seja ela como for, assim como o testemunho de Paulo: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12-3).
E o homem devido a sua fraqueza, a sua constante insatisfação e sua deturpação da palavra de Deus foge ao propósito do chamado. Quantas pessoas conhecemos que estão assumindo ministérios apenas da boca para fora e em busca de aplausos, contaminando, por suas vaidades, o povo. Diz sobre isso as profecias: “Mas também estes cambaleiam por causa do vinho e não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, são vencidos pelo vinho, não podem ter-se em pé por causa da bebida forte; erra, na visão, tropeçam no juízo. Porque todas as mesas estão cheias de vômitos, e não há lugar sem imundícia”. (Isaías 28:7-8).
Muitos templos e igrejas estão contaminados pela falsa fé, ou atualmente, a chamada Doutrina da Prosperidade, em que o homem deve reivindicar para si todos os bens (principalmente os terrenos), colocando Jesus apenas como um fornecedor, ou pior, um gênio da lâmpada que corresponde aos vis interesses. E esquecem-se, que Ele veio de uma família pobre para mostrar que o bem maior é a vida, não o que conseguimos em vida. Desta forma o homem desrespeita ao seu Criador, ou como podemos ver em O Sermão da Montanha de Huberto Rohden: “Enquanto o homem hostiliza a Deus é ele hostilizado pela natureza, que lhe nega até o necessário para a vida, e o homem tem de lutar a fim de ganhar o seu ‘pão, no suor do seu rosto’, porque a terra se lhe cobriu de ‘espinhos e abrolhos’. Quando, porém, o homem fizer as pazes definitivas com o Deus do mundo, então o mundo de Deus fará as pazes com o homem e lhe oferecerá, gratuitamente, tudo de que ele necessitar para uma vida dignamente humana”.
Vejamos o exemplo de dois homens, consagrados por Deus, mas que procuraram se desviar do Seu caminho. O primeiro deles é Sansão: um anjo veio anunciar seu nascimento para seus pais e Deus durante muito tempo o abençoou grandemente, mas ele deixou o pecado tomar conta de seu coração ao misturar-se com uma filistéia, sabendo que este povo o desprezava; e levando uma vida pecaminosa teve os cabelos cortados (eles eram responsáveis por sua força sobre-humana), os olhos vazados, foi escravizado e humilhado; pela intensa misericórdia de Deus, sua última oração foi atendida e ele conseguiu a vitória sobre os filisteus, mas se sempre estivesse andado diante de Deus, muitas coisas não lhe teriam acontecido. O outro é Jonas, que recebendo o chamado de Deus para profetizar sobre a cidade de Nínive, pensou que poderia fugir embarcando num navio, mas Deus lançou-o numa tempestade e posteriormente no ventre de um grande peixe, humilhado, prostrou-se diante de Deus e foi perdoado; mas novamente agiu errado, depois de ir pregar na cidade foi tomado pelo desamor ao próximo e preguiça, e novamente Deus teve de fazê-lo ver quem era o Deus Todo Poderoso.
O pecado está tomando a vida dos filhos que o Senhor escolheu para consagrar à Sua obra, e quando estes não desistem dela, acabam por conspurcá-la; mas o que todos devem saber é que cada pecado traz uma conseqüência, e embora os erros muitas vezes estão encobertos pelas vistas humanas, Deus tudo está vendo. O homem que deseja se preservar deve ter em mente estas palavras: “Filho meu, se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas. Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; guarda das suas veredas os pés; porque os seus pés correm para o mal”. (Provérbios 1:10, 15-6).
Não devemos nos juntar ao joio, por sermos o trigo do Senhor. E possamos ter certeza, que seremos incompreendidos pelos demais muitas vezes, já que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1Coríntios 2:14). E ainda provaremos da dor de Cristo, assim como aconteceu com João Batista, Paulo e Estevão – este preso injustamente, foi condenado a morte por apedrejamento, mas enquanto isso lhe sucedia seu rosto brilhava como de um anjo e ele sorriu por ver os céus abertos e Jesus à destra do Pai, nem se importando mais com a dor diante de tamanha glória, morreu corajosamente – cada um a sua maneira e intensidade.
Paulo ainda nos ensina: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito. Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros”. (Gálatas 5:16-7, 24-6).
Mesmo sendo incompreendidos, odiados por causa do nome de Deus, não deixemos que isso nos vença, pois a sabedoria do mundo é confusa e não sabe o que é a vida de glória que o Senhor nos proporciona. Rohden nos diz ainda que: “O caminho não pode deixar de ser estreito e árduo, uma espécie de tristeza, como é toda a disciplina; mas no fundo dessa tristeza externa dormita uma grande alegria interior. É, todavia, uma alegria anônima, silenciosa, imponderável, como costumam ser os grandes abismos e as grandes alturas. Aos olhos dos profanos, leva o homem espiritual uma vida tristonha e descolorida; o seu ambiente parece monótono e cor de cinza como um vasto deserto. E talvez não seja possível dar ao profano uma idéia da profunda alegria e felicidade que o homem espiritual goza, porque esta felicidade jaz numa outra dimensão, totalmente ignorada pelo profano. O homem habituado a certo grau de espiritualidade tem uma imensa vantagem sobre o não-espiritual; não necessita de estímulos violentos para sentir alegria, porque a sua alegria não vem de fora, e sim de dentro. Basta-lhe uma florzinha à beira da estrada; basta o sorriso de uma criança a caminho da escola; basta o ranger de um sino ao longe; basta o cintilar de uma estrela através da escuridão – tudo enche de alegria, suave e pura, a alma desse homem, porque ela está afinada pelas vibrações delicadas que vêm das luminosas alturas de Deus”.
Nada é mais sábio que a frase de Jesus ao dizer que ele era, o caminho, a verdade e a vida; só quem segue este rumo será salvo.

CAPÍTULO VI - Consagrados a Deus



O Grande Regozijo


“Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de um peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11:11-3).
Deus tem um propósito e uma aliança com cada um de nós, e quando finalmente entregamos nossa alma e dizemos assim como Cristo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lucas 23:46), Ele toma conta e faz a Obra Suprema.
Quando estamos envolvidos de corpo e alma na construção e edificação da palavra de Cristo, somos novas criaturas e temos acesso a coisas nunca antes experimentadas por qualquer ser humano; em duas sublimes passagens bíblicas encontramos esta promessa:
“A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Salmo 25:14).
“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Coríntios 2:9).
Sendo mansos, obedientes e firmes na palavra, Deus manifestará todo o Seu amor sobre nossas vidas e suprirá todas as nossas necessidades. Vejamos dois grandes exemplos da extrema misericórdia de Deus. Noé pelo desígnio do Pai celestial teve a responsabilidade de zelar pela vida humana racional e irracional durante o dilúvio e recebeu a promessa de uma grande aliança que se encontra no céu até hoje, o arco-íris. E por uma aliança com Abraão formou uma grande nação, quando este já era avançado em idade e não tinha nenhum filho.
Quando Deus consagra um filho Seu para obra, mostra tudo o que é capaz, empenha-se pela vida daquela criatura a quem Ele criou com tanto amor para Lhe servir. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (Romanos 8:14,17).
Procuremos pois, o abrigo nos braços do Pai e deixemos que Ele nos limpe interiormente e faça de nós um instrumento de Sua vontade, só assim seremos verdadeiramente felizes em Cristo e verdadeiramente Consagrados a Deus!

ARTIGO I - Glorificar a Deus com todas as nossas forças




“Então, avisaram a Davi, dizendo: O Senhor abençoou a casa de Obede-Edom e tudo quanto tem, por amor da arca de Deus; foi, pois Davi e, com alegria, fez subir a arca de Deus da casa de Obede-Edom, à cidade de Davi.
Sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e carneiros cevados.
Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava cingido duma estola sacerdotal de linho.
Assim, Davi, com todo o Israel, fez subir a arca do Senhor, com júbilo e ao som de trombetas.
Ao entrar a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo ao rei Davi, que ia saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.
Introduziram a arca do Senhor e puseram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara Davi; e este trouxe holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor.
Tendo Davi trazido holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo no Nome do Senhor dos Exércitos.
E repartiu a todo o povo e a toda multidão de Israel, tanto homens como mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e passas. Então, se retirou todo o povo, cada um para sua casa.
Voltando Davi, para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele e lhe disse: Que bela figura fez o rei de Israel, descobrindo-se, hoje, aos olhos das servas de seus servos, como, sem pejo, se descobre um vadio qualquer!
Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor, que me escolheu a mim antes que a teu pai e a toda a sua casa, mandando que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor me tenho alegrado.
Ainda mais desprezível me farei e me humilharei aos meus olhos; quanto às servas, de quem falastes, delas serei honrado.
Mical, filha de Saul, não teve filhos, até o dia da sua morte”.

2 Samuel 6:12-23

 
Davi é tido na Bíblia como o “homem segundo o coração de Deus”, e não poderia ser por menos. A sua fé e o seu exemplo são constantemente admirados, pois poucos homens tiveram tanta coragem e amor para demonstrar pelo seu Deus.
Temos nesta passagem do Velho Testamento, a ida da arca da aliança para a cidade de Davi, de como este se portou perante tal fato e da postura adotada por Mical, sua esposa.
A arca da aliança representava a presença do próprio Deus no meio daquele povo, em torno dela eram feitas celebrações e dentro dela, guardavam-se as leis de Moisés, e Davi, ciente de suas obrigações para com o Senhor, recebe-a com grande alegria. E quando sua esposa o repreende por tal atitude, vista por ela com olhos maus, mais o monarca se firma em sua fé.
Assim devemos ser para com Deus, nunca devemos nos envergonhar de o servir e sim, sermos sempre felizes e gratos com a Sua constante presença. Diante do Senhor, devemos nos preparar para O glorificar, para O celebrar porque Ele é o Todo Poderoso! E quando diz que “Davi dançava com todas as suas forças”, remete-nos o quanto devemos glorificar ao Senhor. Devemos nos prostrar diante do Pai humildes e felizes por podermos celebrá-Lo de todo o coração, usando de todas as nossas forças e de tudo o que sabemos, devemos dar o melhor de nós mesmos, pois afinal Ele merece!
Podemos ver atualmente que pessoas como Davi são espécimes raras, o que mais encontramos são como Mical, que se envergonham do Senhor. As igrejas estão abarrotadas de crentes que não abrem a boca para celebrar ao Salvador, que não dão testemunho de sua fé e que se fecham por achar que dançar, cantar, chorar, se humilhar diante do Cristo não é conveniente.
A filha de Saul julgava que Davi, como rei, não poderia se unir à plebe e muito menos participar de suas celebrações. Davi, no entanto, como um cristão legítimo, sabia que o Senhor é o Rei dos reis, e diante Dele não era nada. Temos de ter a noção da importância do Senhor em nossas vidas. Como podemos nos envergonhar do Ser que nos deu a vida? Como podemos nos envergonhar Daquele que nos protege e auxilia a vencer todas as dificuldades? Como podemos nos envergonhar Daquele que tudo sabe e que perdoou nossos pecados? Como podemos nos envergonhar Daquele que nos deu a salvação eterna?
Davi, sabendo de tudo isso, sempre esteve na presença do Criador. Vejamos como foi a sua vida: era o “suposto” mais frágil filho de Jessé, enquanto seus irmãos iam para as batalhas, ele ficava a apascentar o seu rebanho. Com o auxílio divino enfrentou grandes animais que queriam devorar suas ovelhas, venceu o gigante Golias sem precisar usar a força bruta e recebeu um dom maravilhoso do Pai, o ministério de louvor; foi proclamado rei e de sua prole recebeu a benção de vir o Salvador, dentre outras tantas que recebeu. Quando andou no pecado, se prostrou e se arrependeu. Eis um grande exemplo a ser seguido.
Andando na presença do Senhor, encontraremos grande alegria e satisfação, mas nunca, nunca mesmo devemos procurar segui-Lo com interesse. Lembremos o exemplo do jovem rico que queria seguir a Jesus e perguntou-Lhe o que precisava fazer para ser salvo, quando o Messias respondeu-lhe dizendo que para ser perfeito deixasse os seus bens materiais, assim o jovem não achou possível, e isto aconteceu por que ele foi ao Mestre com interesse, não pelo verdadeiro amor, mas sim visando algo em troca.
Geralmente quem procura servir a Deus com interesse ou acaba se envergonhando ou agindo na falsidade, e esses dois tipos de conduta alegra apenas ao maligno.
Mical foi infeliz sim, pois na sua vergonha pelo marido, ela se envergonhou na verdade do Senhor, o que acarretou em infelicidade para a sua vida, pois como uma árvore seca, ela não frutificou.
Assim, observando o bom exemplo de Davi, e as condutas erradas de Mical e do jovem rico, vamos procurar seguir a Jesus fielmente, com alegria e devoção, sempre amando-O, respeitando-O e glorificando-O com todas as nossas forças.